Tornar a escrita uma prática diária é um desafio. Nem sempre dispomos de tempo ou ideias quando estamos diante da folha em branco.
Um método que acabei por adotar de outras áreas
da escrita que andei estudando durante a pandemia, é o chamado banco de ideias,
que para a escrita poética adaptei como o banco de versos e o banco de
estrofes.
Desde que comecei a escrever adotei a prática
de colecionar frases que me pareçam ter um potencial poético, pode ser uma
junção aleatória de palavras que desperte sentidos poéticos e/ou que se encaixe
em alguma métrica, sua sonoridade, enfim.
Porém, agora em vez de escrever em folhas
avulsas dispersas ou em incontáveis arquivos no computador, estão todos os
versos em um único arquivo, organizados conforme o número de sílabas métricas
que mais costumo usar (12, 10, 7 e 5).
Quando estou querendo escrever, mas não há
nenhuma ideia rondando meus pensamentos, recorro ao banco de versos para tentar
dar continuidade a algum verso, ou mesmo escrever um verso novo.
Tento escrever ao menos um verso por dia, ou dar
continuidade a algum verso solto até se tornar uma estrofe e então ser
promovido para o banco de estrofes, que é um arquivo que segue a mesma lógica
do banco de versos.
Quando um conjunto de estrofes ganha corpo, são
apartadas para um arquivo autônomo (isso costuma acontecer após a quinta
estrofe escrita, mas não é uma regra). Em alguns casos já saem do banco de
estrofes batizadas.
Esse método ajuda a manter uma rotina de
escrita, além de evitar aquele sentimento de angústia diante da folha em
branco, afinal de contas, estamos diante de um campo repleto de sementes no
banco de versos.
Não é preciso esperar que a primavera da
inspiração traga a florada dos versos, basta que a cada dia se vá regando um
pouco as sementes.
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