sexta-feira, 30 de abril de 2021

R E F E R Ê N C I A S

 


Já parou pra pensar como aprendeu a falar? Como adquiriu uma habilidade nova? Como se portou em um trabalho que nunca havia feito antes? Se passou por qualquer dessas situações, um recurso de aprendizagem que seguramente foi adotado é a imitação.


Imitar é um processo de aprendizado natural do ser humano, funcionando igual pra quem começa a escrever poesia. Porém, como somos compelidos desde o princípio a produzir uma obra original, acabamos disfarçando nossas referências, apagando as evidências (desculpa, foi mais forte que eu).


Uma parte importante do processo de aperfeiçoamento é reconhecer as nossas influências, entender que vamos beber de uma fonte que, por sua vez, bebeu de uma outra vertente anterior. Investigar com consciência estes caminhos legados por nossas influências é uma forma de abrir picadas no rumo da nossa originalidade.

 

Associando conceitos do livro “Roube como um artista” e outra obra já citada aqui, comecei a desenvolver um mapa poético. O livro sugere uma árvore genealógica, mas achei a imagem do mapa mais adequada para a proposta.

 

Como funciona esse exercício: fazer uma lista com 20 autores (poetas/letristas) que reconheça que marcaram/influenciaram na sua escrita. Escrever sobre cada autor, como conheceu, características que foram influência e estabelecer uma palavra/expressão que defina o autor pra ti. Conheça mais sobre cada um desses autores e tente conhecer três referências de cada um deles.

 

Agora a parte que acho mais interessante: escolher três letras/poemas de cada um destes autores, tendo como critério o que considera melhor escrito ou o que mais marcou. Escreva sobre as obras que escolheu, depois leia e releia várias vezes cada uma delas.

 

Em vez de batalhar na tentativa de camuflar as influências do seu trabalho, torne estes autores mentores silenciosos que o acompanham nessa jornada. É mirando os rastros dos rumos já trilhados que encontramos um caminho original.


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segunda-feira, 26 de abril de 2021

F O M E

 

Acredito que o primeiro estágio para quem almeja ser poeta é ter fome de poesia. Assim como um músico antes mesmo de se dedicar ao aprendizado de um instrumento precisa alimentar seus ouvidos com música, no campo das letras também é preciso nutrir-se poeticamente todos os dias.

Cada livro é um prato de comida que deve ter suas páginas deglutidas dia a dia. Alguns pratos vamos degustar com o mesmo prazer da refeição favorita, outros devoraremos com a avidez de um mendigo em uma lata de lixo.

Uma alimentação variada também se faz imprescindível, não se deve consumir apenas o cardápio que atenda ao nosso gosto poético. Quantos nos pareceram amargos em uma primeira prova não ganham nossa afeição se insistimos? Quantos devorávamos afoitos nos parecem agora repunantes?

Há vezes depois de uma bebedeira com o estômago vazio que nos deparamos com versos raquíticos, de rimas esquálidas, em poemas esqueléticos. Por isso é importante que na hora do dedo na garganta se esteja de bucho cheio.

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quinta-feira, 22 de abril de 2021

B L O Q U E I O S

 

Há uma crença limitante corrente que ronda os círculos de criação artística de que a técnica engessa a criatividade. Ao longo da leitura de “O caminho do artista” entendi que esta ideia constituía uma das principais causas para instabilidade da minha escrita poética.

Embora minha criatividade não tenha sido bloqueada de forma direta, ergui obstáculos para o seu exercício pleno. Eu tinha as ideias, rabiscava alguns versos, às vezes estrofes, porém por executar os juízos críticos próprios da etapa de revisão enquanto escrevia, o próprio ato de escrever tornava-se cansativo e os poemas ficavam inacabados.

Entendi que a junção das etapas de escrita e revisão castrava a minha liberdade criativa. Esse entendimento começou a ficar nítido através de um exercício proposto no livro “O caminho do artista” que consiste na escrita livre de três páginas diariamente.

Escrever três páginas todos os dias é um exercício que nos força a vencer a tesoura de poda do senso crítico, rigoroso com cada palavra antes mesmo de chegar ao papel. Esse treino diário nos faz vencer a resistência que o lado censor da nossa cabeça exerce na hora que nos propomos a escrever.

A prática desde exercício em conjunto com métodos de criação e organização de ideias me ajudou a transformar alguns versos extraviados que reculutei pelas gavetas durante a pandemia em poemas (vide foto da primeira postagem do perfil).

No começo se mostra uma tarefa difícil escrever três páginas todos os dias, parece que as ideias vão brincar de esconde esconde na nossa cabeça que não encontramos nenhuma pra jogar no papel.

Porém o mais importante é escrever, para derrubar os muros que o senso crítico levanta no processo criativo, saindo da passividade da inspiração pra transformar a escrita num hábito propositivo.

Antes de fazer o exercício de acordo com a proposta do livro da Julia Cameron, eu já realizava um exercício de escrita livre semelhante, porém a dinâmica era pautada pelo tempo. Durante 25 minutos escrevia no papel qualquer coisa que vinha a mente, mas tinha que permanecer escrevendo todo o tempo.

A parte interessante destes exercícios é que com o tempo, as ideias aparecem.

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sexta-feira, 16 de abril de 2021

P R O P O S T A

 

Escrevi minha primeira letra sem dominar as artimanhas da métrica e do ritmo. Na verdade, fui me afeiçoar a estes elementos da construção poética bastante tempo depois. Como disse no texto anterior, atropelei etapas do aprendizado.

Então em vez de começar aprendendo a parte mais elementar do processo de escrita poética, já me dediquei à leituras mais complexas para a bagagem de leitura que eu tinha na época.

Por conta da falta de maturidade para lidar com esse conhecimento mais técnico, acabei desenvolvendo um senso crítico bastante rigoroso ainda na fase de escrita. Toda a análise crítica que eu deveria fazer na fase de revisão era antecipada, o que tornava o próprio processo de escrita cansativo e desgastante.

Como demandava muita energia fazer uma revisão crítica enquanto estava escrevendo, comecei a criar resistência para reler meus textos. Estabeleci, a partir disso, uma relação instável com o meu processo de escrita poética.

Durante maior parte do tempo empilhava pelas gavetas versos inacabados, porém haviam épocas muito ocasionais que meu senso crítico perdia os freios e eu escrevia um poema por dia muitas vezes.

Foi a partir da leitura do livro “O caminho do artista” da Julia Cameron que comecei a refletir e entender as crenças que estavam por detrás dos bloqueios ao meu processo criativo.

Ao suspender o julgamento crítico para a fase de revisão, através de exercícios rítmicos-fonéticos aleatórios comecei a dar vazão a ideias que antes nem chegariam ao papel.

Alguns desses versos que nascem destes exercícios são promovidos ao banco de versos, que vou explicar o que é mais adiante neste perfil.

Nesse perfil eu quero compartilhar conceitos básicos da poética, como verso, escanção, estrofe, ritmo, etc, pautando os exemplos com poetas da prateleira da poesia regional gaúcha na estante. São autores com quem pude trocar ideia sobre esse tema, alguns até acompanhei o processo criativo.

Pretendo também dissecar alguns versos sob uma perspectiva criativa, visando entender os elementos que causam aquele encantamento que nos leva a pensar: “Queria eu ter escrito estes versos”

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quinta-feira, 15 de abril de 2021

C O M E Ç O S

Eu devia ter uns doze anos na primeira vez que lembro de ter acollherado alguns versos e algumas rimas na última folha de um caderno do colégio. Na época eu era fã dos Mamonas Assassinas, sonhava em ter uma banda parecida, e foi com essa influência, que num tom entre o debochado e o jocoso, escrevi minha primeira letra.

Nenhum dos meus amigos da rua com quem pensava em fazer a banda pareceu entusiasmado com minha letra toda rimada em “ência”. Nem perceberam o quanto eu era visionário ao usar a palavra “sofrência” mais de duas décadas antes de se popularizar.

(Eu nunca tive essa banda, mas um tempo depois comprei uma guitarra e fui fazer aula de música. Nessa época meu gosto musical estava mudando, Gabriel, o pensador e Charlie Brown Jr estavam dando espaço na vitrola pra Gujo Teixeira e Luiz Marenco com o disco “Quando o verso vem pras casa”.)

Meu professor de violão também leu sem muito entusiasmo as primeiras letras que escrevi na tentativa de ser autor de uma das músicas do disco que o grupo dele ia gravar. Porém, quando escrevi uns versos que em vez da alegria dos bailes e rodeios, tentei traduzir algumas inquietudes das minhas noites de insônia, ele me disse: “Vamos gravar e mandar pra festival”.

Algumas semanas depois estava num estúdio acompanhando a gravação da minha primeira música, nessa época eu tinha quinze anos. Depois disso vieram outras letras e outras gravações. Houveram também participações em festivais, porém, praticamente todas como melodista.

Na tentativa de aperfeiçoar minha escrita acabei atropelando algumas etapas do aprendizado, fiz algumas leituras e oficinas sem construir uma base de leitura, o que afetou o meu processo criativo poético.

Durante a pandemia li um livro que fala sobre desbloqueio criativo e vasculhando algumas gavetas encontrei muitos versos inacabados. A tarefa de inventariar esses fragmentos poéticos dispersos me fez entender que a leitura técnica sem preparo e maturidade me fez incorporar procedimentos de revisão à fase criativa da escrita poética.

Neste perfil vou compartilhar as ferramentas que me auxiliam nesse processo para desbloquear a criatividade poética.

[texto integrante do perfil "Dissecando versos" no Instagram.]

Livros e o troféu do 17° concurso literário Mario Quintana

📚 Ontem chegaram pra mim os livros e o troféu de 3° lugar no 17° concurso literário Mario Quintana, realizado pelo Sintrajufe/RS. 📜 No com...