O eu-lírico na poesia cumpre o papel de um alter ego, onde o poeta pode se desprender até mesmo das suas próprias convicções para alcançar efeitos poéticos.
Retomo o assunto porquê quando comecei a escrever eu passei pelo processo de em algumas situações forçar o meu eu-lírico a usar bota e bombacha.
De que forma isso acontecia na prática? Eu acabava transformando substantivos que remetem ao universo regional em adjetivos nos meus versos.
Por exemplo, se estava escrevendo sobre devaneio e sonho, usava a expressão “sonho potro" apenas para demarcar um território da linguagem regional.
Neste caso a palavra potro não entra como símbolo ou imagem, sendo que em alguns casos foge do contexto sem atribuir uma dimensão poética para o texto.
O leitor vai se questionar ao longo da leitura “por que o sonho é potro? Por que o amor é aragano?”, por exemplo. E as respostas a estas perguntas devem ter ao menos um sentido poético.
Assim como o excesso de adjetivos enfraquece o texto, os substantivos transformados em adjetivos num processo de demarcação da linguagem regional podem fazer a obra soar forçada.
Além disso, torna-se uma leitura cansativa quando se empilham expressões regionais sem atribuir qualquer sentido a elas.
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