Eu devia ter uns doze anos na primeira vez que lembro de ter acollherado alguns versos e algumas rimas na última folha de um caderno do colégio. Na época eu era fã dos Mamonas Assassinas, sonhava em ter uma banda parecida, e foi com essa influência, que num tom entre o debochado e o jocoso, escrevi minha primeira letra.
Nenhum dos meus amigos da rua com quem pensava em fazer a banda pareceu entusiasmado com minha letra toda rimada em “ência”. Nem perceberam o quanto eu era visionário ao usar a palavra “sofrência” mais de duas décadas antes de se popularizar.
(Eu nunca tive essa banda, mas um tempo depois comprei uma guitarra e fui fazer aula de música. Nessa época meu gosto musical estava mudando, Gabriel, o pensador e Charlie Brown Jr estavam dando espaço na vitrola pra Gujo Teixeira e Luiz Marenco com o disco “Quando o verso vem pras casa”.)
Meu professor de violão também leu sem muito entusiasmo as primeiras letras que escrevi na tentativa de ser autor de uma das músicas do disco que o grupo dele ia gravar. Porém, quando escrevi uns versos que em vez da alegria dos bailes e rodeios, tentei traduzir algumas inquietudes das minhas noites de insônia, ele me disse: “Vamos gravar e mandar pra festival”.
Algumas semanas depois estava num estúdio acompanhando a gravação da minha primeira música, nessa época eu tinha quinze anos. Depois disso vieram outras letras e outras gravações. Houveram também participações em festivais, porém, praticamente todas como melodista.
Na tentativa de aperfeiçoar minha escrita acabei atropelando algumas etapas do aprendizado, fiz algumas leituras e oficinas sem construir uma base de leitura, o que afetou o meu processo criativo poético.
Durante a pandemia li um livro que fala sobre desbloqueio criativo e vasculhando algumas gavetas encontrei muitos versos inacabados. A tarefa de inventariar esses fragmentos poéticos dispersos me fez entender que a leitura técnica sem preparo e maturidade me fez incorporar procedimentos de revisão à fase criativa da escrita poética.
Neste perfil vou compartilhar as ferramentas que me auxiliam nesse processo para desbloquear a criatividade poética.
[texto integrante do perfil "Dissecando versos" no Instagram.]

Nenhum comentário:
Postar um comentário