sexta-feira, 16 de abril de 2021

P R O P O S T A

 

Escrevi minha primeira letra sem dominar as artimanhas da métrica e do ritmo. Na verdade, fui me afeiçoar a estes elementos da construção poética bastante tempo depois. Como disse no texto anterior, atropelei etapas do aprendizado.

Então em vez de começar aprendendo a parte mais elementar do processo de escrita poética, já me dediquei à leituras mais complexas para a bagagem de leitura que eu tinha na época.

Por conta da falta de maturidade para lidar com esse conhecimento mais técnico, acabei desenvolvendo um senso crítico bastante rigoroso ainda na fase de escrita. Toda a análise crítica que eu deveria fazer na fase de revisão era antecipada, o que tornava o próprio processo de escrita cansativo e desgastante.

Como demandava muita energia fazer uma revisão crítica enquanto estava escrevendo, comecei a criar resistência para reler meus textos. Estabeleci, a partir disso, uma relação instável com o meu processo de escrita poética.

Durante maior parte do tempo empilhava pelas gavetas versos inacabados, porém haviam épocas muito ocasionais que meu senso crítico perdia os freios e eu escrevia um poema por dia muitas vezes.

Foi a partir da leitura do livro “O caminho do artista” da Julia Cameron que comecei a refletir e entender as crenças que estavam por detrás dos bloqueios ao meu processo criativo.

Ao suspender o julgamento crítico para a fase de revisão, através de exercícios rítmicos-fonéticos aleatórios comecei a dar vazão a ideias que antes nem chegariam ao papel.

Alguns desses versos que nascem destes exercícios são promovidos ao banco de versos, que vou explicar o que é mais adiante neste perfil.

Nesse perfil eu quero compartilhar conceitos básicos da poética, como verso, escanção, estrofe, ritmo, etc, pautando os exemplos com poetas da prateleira da poesia regional gaúcha na estante. São autores com quem pude trocar ideia sobre esse tema, alguns até acompanhei o processo criativo.

Pretendo também dissecar alguns versos sob uma perspectiva criativa, visando entender os elementos que causam aquele encantamento que nos leva a pensar: “Queria eu ter escrito estes versos”

[Esse texto integra o perfil "dissecando versos" do Instagram]

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