Estes dias conversava com um amigo poeta sobre a técnica, ou a ausência dela, numa obra. Utilizei uma frase do Glênio Fagundes para ilustrar o que penso “O que mata a sede é a água e não o copo”.
Assim como um cantor que nunca fez uma aula de
técnica vocal pode nos encantar e outro que detém todo um arsenal de recursos
técnicos nos ser indiferente com seu canto, na poesia a técnica não é o fiador
de um bom poema.
Entendo que as técnicas de escrita poética
estão aí como recursos à disposição de quem deseja adquirir consciência para
aperfeiçoar sua obra, ou mesmo para quem deseja subverter estas regras
clássicas.
Com relação ao tema métrica, gosto sempre de
lembrar das palavras do Mario Quintana:
“[...]
Em todo caso, bem sabes que existe a métrica.
Eu tive a vantagem de nascer numa época em que só se podia poetar dentro dos
moldes clássicos. Era preciso ajustar as palavras naqueles moldes, obedecer
àquelas rimas. Uma bela ginástica, meu poeta, que muitos de hoje acham
ingenuamente desnecessária. Mas, da mesma forma que a gente primeiro aprendia
nos cadernos de caligrafia para depois, com o tempo, adquirir uma letra
própria, espelho grafológico da sua individualidade, eu na verdade te digo que
só tem capacidade e moral para criar um ritmo livre quem for capaz de escrever
um soneto clássico.[...]”
No gancho do Mario Quintana e do Glênio
Fagundes podemos entender que é possível se matar a sede com água pura na palma
da mão, ou seguir com sede ao provar de água salobra em copo de cristal.
Hoje entendo que a regra primordial na criação
poética seja a seguinte: escreva o primeiro verso de tal maneira que o leitor
tenha interesse em ler o próximo verso. Repetir esse processo até o final,
dando um desfecho instigante.
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