Ao ler repetidas vezes um poema, ultrapassamos
a beleza de um verso para contemplar a sua construção, aos poucos vamos
percebendo recursos construtivos que num primeiro momento nos eram
imperceptíveis.
Escolhi “Quando o verso vem pras casa” para
começar. Com melodia do Luiz Marenco, essa letra foi 1º lugar da IX Tafona da
Canção Nativa - Osório em 1997 e recebeu também o Troféu Vitória do Governo do
Estado do RS como melhor música de 1997.
A leitura reiterada do poema me permitiu
perceber que estruturalmente, a primeira e a última estrofe são mais
descritivas do ambiente, começando com a ideia de amplidão do fim de tarde na
primeira estrofe e findando com a imagem mais intimista de um galpão na última.
Nas quatros estrofes do meio se desenvolvem as ações
do “protagonista” do título da letra, o verso. O que chama atenção é que se ao
lermos o poema substituirmos a palavra “verso” por “homem”, o poema segue
fazendo sentido (não o mesmo sentido, óbvio).
Porém, ao personificar o verso, que é um
conceito abstrato, vestindo-o com os costumes de um homem de campo, o poema se
enriquece de sentidos.
Esse método de atribuir condutas humanas a um
termo abstrato é bastante usual, sendo um bom recurso criativo a ser
experimentado no fazer poético. Por exemplo, quais ações o “sonho” pode ser
protagonista? Seria um “sonho” andarilho ou um “sonho” que não conhece o outro
lado da porteira?
Espero que esse texto tenha sido instigante sob
o ponto de vista criativo. Curta, compartilhe com amigos que se interessam por
escrita poética e conta nos comentários quais elementos dessa letra te chama
atenção numa leitura mais acurada.
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