Um amigo questionou um tempo atrás se o "eu lírico" seria, digamos, a voz que fala em todos os poemas ou se o poeta elegia a obra onde ele mesmo, poeta, ou eu lírico falaria.
Respondi na ocasião que entendia que tecnicamente em todo o poema é o eu lírico que “fala”, até porque a obra deve existir além do autor.
Porém, somos massacrados ao longo da vida escolar com a ideia de "o que o autor quis dizer?", que acabamos confundindo a voz própria do poema (eu lírico) com a voz do poeta, que não "pensam" necessariamente o mesmo.
Chico Buarque não precisou pôr um vestido curto, uma peruca e fazer um programa na zona portuária pra escrever Geni e o Zepelin. (essa piada é só a título ilustrativo)
No começo da caminhada poética o próprio autor não tem consciência do "eu lírico", ao escrever o autor se confunde com o eu-lírico, exercendo uma espécie de fidelidade entre eu-lírico e autor, que, às vezes, empobrece o texto.
Aos poucos o autor, me parece, vai adquirindo maturidade pra entender que ele pode escrever coisas diferentes do que ele pensa ou acredita, que pode escrever de outro ponto de vista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário