Percebi que embora existam diversas maneiras de se organizar para escrever, é muito comum os autores assumirem uma postura passiva no ato de escrita. Influenciados pela crença da inspiração, aguardamos o momento que essa musa venha para iluminar os nossos pensamentos.
Hoje
entendo que essa postura pode levar o autor a encarar a obra como uma dádiva
que recebe e não um trabalho intelectual que realiza. Além disso, acabamos
fazendo de forma interna (mental) diversos processos que podem ser exteriorizados
e analisados no papel.
Claro
que há momentos em que as palavras nos chegam num fluxo e nos convidam a bailar
através da correnteza dos versos. Porém, muitas vezes temos apenas um lampejo
que nos entrega uma ideia, um verso ou até mesmo uma estrofe, depois travamos
diante dos caminhos ainda desconhecidos do poema nascente.
É
comum nos sentirmos perdidos diante de uma estrofe ou de alguns versos que mal
nos apontem um rumo, é como entrar num labirinto sem o cordão do novelo de
Ariadne pra nos ajudar sair. Além disso, nosso corpo e nossa mente se acostumam
com o processo de permanecer durante longos períodos diante da folha em branco caçando
palavras à esmo, o que pode ser viciante.
Por
isso se mostra importante exercitar o ato de escrever de forma constante, como
forma de romper essa armadilha mental e comportamental. A simples digitação de textos
pode ser um exercício que auxilia na quebra desse padrão.
Pode-se
começar digitando textos de outros autores, esse processo visa inicialmente
apenas modificar o padrão mental que pode ser criado ao se permanecer grandes
períodos de tempo buscando inspiração para escrever.
Podemos
não perceber, mas nosso corpo e nossa mente começam a se nutrir dos sentimentos
que nos afligem enquanto estamos diante da folha em branco. Por isso é
importante quebrar essas armadilhas comportamentais, bem como usar ferramentas
que vão nos servir como o cordão de Ariadne para nos tirar do labirinto, mas
isso é tema pra um próximo texto.
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